Toda equipe que desenvolve software já deve ter descoberto que “o entendimento dos requisitos deve ser alcançado.” Eles podem ter lido isso em algum lugar ou simplesmente enxergado algo que é óbvio demais para ser ignorado por qualquer mente saudável. Não importa como chegaram a tomar conhecimento disso, o importante é que qualquer pessoa que se propõe a resolver o problema de outra sabe que precisa entender razoavelmente bem o que está querendo solucionar. A questão interessante é desenvolver uma maneira eficiente de fazer isso.
Uma alternativa que faz muito sentido é tentar escrever e assinar junto com os clientes um belo documento que descreva detalhadamente os requisitos. Esta estratégia parece bastante natural porque a maioria das pessoas já está bem familiarizada com assinaturas e contratos. Afinal não é exagero dizer que este tipo de formalização vem sendo usado há séculos nos mais variados campos de atividade.
Por causa disso não é muito intuitivo pensar que esta abordagem tem um alto potencial para falta de entendimento. Como as coisas estão somente descritas e não há algo realmente tangível para guiar as opiniões, o entendimento depende totalmente da interpretação do texto e é possível que cada uma das partes tenha uma idéia diferente do objeto do acordo na hora da assinatura. Para que um acordo verdadeiro seja firmado, é essencial que ambas as partes estejam pensando na mesma coisa. Sem isso o máximo que se consegue é uma ilusão. Por causa do papel crucial da interpretação do texto, é comum que este tipo de engano ocorra ao usar apenas documentos. Apesar disso as assinaturas geralmente são aceitas como evidências de acordo.
Documentos fazem muito sentido quando o desenvolvimento do produto final precisa levar muito tempo. Quando isto é verdade o registro por escrito dos requisitos é uma opção aceitável. Há o risco de um acordo ilusório, mas ele é menos prejudicial para ambas as partes do que o cancelamento da empreitada. Porém quando os requisitos podem ser suficientemente pequenos e a equipe tem um processo de desenvolvimento suficientemente enxuto, as necessidades do cliente podem ser identificadas na segunda-feira e estarem materializadas em software rodando na sexta-feira seguinte (se é que software pode ser materializado). Quando isto é possível não faz mais sentido utilizar documentos e correr o risco de um falso acordo porque o produto final pode ser usado como objeto do acordo.
Software em execução é a forma mais incontestável de entendimento dos requisitos. Ninguém pode dizer que a equipe de desenvolvimento e o cliente não estão de acordo quando eles concordam sobre o produto final. Não há mais o que refinar, portanto não há mais onde discordar.
Perfeito.
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