O gerente invisível

Gerentes de projeto precisam ter várias habilidades para realizar um trabalho satisfatório. Elas vão desde boa capacidade de comunicação e habilidades de negociação até desenvoltura com estimativas e prazos em constante mutação. Mas a habilidade de sair da porcaria do caminho certamente é uma das mais importantes.

Considere-se com sorte se você nunca teve um gerente que pedia relatórios de status diários (ou até com freqüência maior) ou que parecesse ter uma queda especial por reuniões. Principalmente por aquelas bem longas e tediosas. Todo mundo já teve ou ainda vai ter um gerente como esse. E eles fazem parecer que gerentes só servem para encher o saco e lhe atrapalhar de terminar o trabalho de verdade que você faz durante o tempo entre uma reunião e outra.

Mas o bom gerente sabe como sair do caminho. Ele consegue ajudar sem atrapalhar, sem perguntar o tempo todo o que a equipe precisa. Ele simplesmente sabe o que eles precisam, mesmo que eles mesmos não saibam.

Há milhões de coisinhas que não são programação que são necessárias para fazer um produto de software de sucesso. Coisas chatas como reuniões com a diretoria, contabilidade, servidores de produção, manutenção do ar-condicionado, servidores de produção, publicidade, infra-estrutura de rede decente, servidores de produção, impostos e servidores de produção. Bons gerentes fazem parecer que estas coisas não precisam ser resolvidas com cuidado, fazem parecer que elas estão lá e simplesmente funcionam.

Para colocar em termos que um programador vai entender, bons gerentes são capazes de criar uma camada de abstração pra o desenvolvedor. Eles conseguem fazer com que o trabalho pareça constituir-se somente de cuspir código o dia inteiro. Eles fazem os programadores se sentirem bem por poderem fazer o tempo todo aquilo que gostam de fazer. Eles respondem os relatórios de status da equipe para os gerentes deles com um mínimo de distúrbio para os programadores. Eles vão para as reuniões que parecem que nunca vão acabar para que o resto da equipe não precise ir. Eles não se escondem atrás de suas escrivaninhas funcionando como um roteador de tarefas delegando tudo que precisa ser feito.

Esta habilidade de sair do caminho torna os bons gerentes virtualmente invisíveis para sua equipe. Os melhores são tão bons nisso que parece que não estão fazendo nada, que são completos vagabundos. Quando eles estão fazendo um bom trabalho, o pensamento dos programadores de sua equipe deve passar várias vezes pela questão “o que este sanguessuga fica fazendo o dia todo enquanto eu escrevo código aqui para fazer essa porcaria funcionar?”. A sina deles é parecer cada vez mais inúteis à medida que se tornam mais úteis.

2 thoughts on “O gerente invisível

  1. Muito legal! Resumão dos bons gerentes: “Eles fazem os programadores se sentirem bem por poderem fazer o tempo todo aquilo que gostam de fazer.” … acho que nesta frase, vocẽ disse tudo.

    Só uma pergunta: o que fazer com gerentes apáticos? e aqueles que foram “nomeados” como gerentes mas só querem saber de programar.

    Se bobear, já renderia outro post.
    Sucesso!

  2. Impressão minha ou tu está com problemas com servidores de produção têm tirado teu sono? :-)

    “Sair da porcaria do caminho” é uma qualidade difícil de se adquirir. Uma porção de gerentes ainda precisa sentir que manda, que diz exatamente o que cada um deve fazer, quando deve fazer e alguns, os mais estúpidos, como fazer. Acontece quando eles não sabem exatamente o que fazer e ficar no caminho parece ser a melhor forma de mostrar serviço.

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