Eu lembro quando as primeiras redes sociais começaram a se popularizar por estas bandas. E por popularizar, é óbvio que eu quero dizer que começaram a ser usadas pelos primeiros geeks. No início éramos só nós que usávamos esse tipo de coisa. Depois começaram a surgir o que vou chamar de “geeks de segundo nível”, o pessoal que acompanha tecnologia mas que inicialmente estava cético quanto à utilidade dessas coisas. Esses acabaram se convencendo depois que todos os outros geeks estavam usando. Depois disso foi só aproveitar a inércia: começaram a aparecer pessoas interessadas mais nas possibilidades de interação humana que na tecnologia, atraídas pelo que seus amigos geeks estavam conseguindo dessa nova mídia e pela facilidade de operá-la. Foi neste ponto que começaram a chegar as meninas de treze anos, os perfis falsos, os pedintes (me add! me add!) e aí…
Aí os usuários originais começaram a debandar. Aquela idéia do início já não parecia tão boa. Na verdade parecia uma péssima idéia. A relação sinal-ruído desequilibrou demais para o lado do ruído: mais um caso internético típico da maldição da popularidade.
Mas se a idéia era tão ruim, como conseguiu atrair aqueles geeks no início?
Acontece que a idéia não era ruim. Geeks são muito bons para detectar boas plataformas e foi isso que eles fizeram. Eles começaram a adotar aquela idéia por causa do seu potencial. Não pelo que ela oferecia na época, mas pelo que ela poderia vir a oferecer. Quando as redes sociais falharam em aproveitar esse potencial, eles as abandonaram.
O grande erro dos sites de rede social foi não perceber que o que tinham em mãos era uma plataforma para aplicações, não uma aplicação final. Felizmente isto vem mudando nos últimos anos, com a disponibilização de interfaces de programação para que terceiros hospedem aplicações sobre estes sites e o futuro pode voltar a parecer promissor novamente.
Hoje a maioria das aplicações no Orkut, por exemplo, são basicamente inúteis. Temos desde aplicativos que servem simplesmente para permitir que você use o grafo social para encher o saco de seus amigos até os sites com conteúdo externo que não usam praticamente nada do grafo social mas resolveram subir nesse trem por causa da audiência. Sem contar os mini-aplicativos publicitários sem muita criatividade. Olhando por este lado, o futuro não parece muito alegre. Mas o valor de uma plataforma não está nas aplicações que já foram feitas, mas nas que podem ser feitas.
E o que pode ser feito com essas redes sociais? Ninguém sabe ainda. Se alguém soubesse, já teria sido feito. A questão é que você não pode dizer que esse negócio de rede social não vai pra lugar nenhum só porque ninguém fez nada de interessante ainda. Isso não impede que alguém faça algo no futuro. Se em 1992 você dissesse que a web não iria para lugar nenhum, sua opinião pareceria bastante plausível, mas por volta do ano 2000 teria sido provado o contrário. É bem verdade que as redes sociais podem realmente nunca nos trazer nada de útil, mas isso não pode ser afirmado com base no passado.
A própria web não era muito atrativa na década de 90, mas os geeks viram seu potencial e a transformaram em uma mídia riquíssima. No início não havia aplicações web muito interessantes, mas havia potencial. Se vamos usar as aplicações sobre redes sociais somente para jogar frutas virtuais em nossos amigos ou arranjar algo de útil para fazer é uma decisão que está primeiramente em nossas mãos, desenvolvedores web e geeks em geral. Se conseguirmos construir algo que ajude as pessoas, elas virão.
Ótimo artigo. Mas o povo ainda precisa melhorar muito o suporte para essas APIs para que possamos desenvolver coisas mais bacanas.
Nós podemos criar ferramentas de colaboração que vão de editar texto juntos até realizar pesquisa ou simplesmente se divertir. Eu acho que esse é um dos potenciais de redes sociais, mas é preciso ajustar o foco ao invés de apenas navegar no grafo completo sem pensar nas similaridades entre os nós.
Não sei se é algo que já acontece porque sou usuário restrito nas redes: não tenho orkut; minha conta no facebook é praticamente morta; vejo o linkedin apenas de vez em quando. Mas, nas redes das participei, meu interesse sempre se direcionou para as tribos do qual já faço parte… fora das redes.
Ou seja, e se o grafo fosse conectado por interesse/afinidade/tribo ao invés de “eu te conheço”?
O Orkut, decido ao TOS atual não PODE ter aplicacoes mais interessantes do que as atuais: o negócio é tao restritivo que voce nao pode nem sequer linkar pra um site externo, por exemplo.
O nivel das apps do facebook (apesar das mais populares serem os joguinhos bobos de sempre) é beeeem melhor, e um dos motivos (além de ter mais gente alem de brazileiros e indianos usando) é que o TOS é menos restritivo nesta questao…